PENSAMENTO COMPLEXO

CAPÍTULO 2: O Desenho e a Intenção Complexos

Edgar Morin

A teoria dos sistemas e o sistema aberto mostram que o todo é mais — e ao mesmo tempo menos — que a soma das partes. Ordem nasce também da desordem. Aqui entram a auto-organização, a reintrodução do sujeito e a definição de complexus.

Mais E Menos que a Soma

O todo organizacional cria emergências (propriedades que só existem no conjunto) e ao mesmo tempo constrange as partes (reprime qualidades que elas teriam soltas). Guardar os dois lados evita tanto o reducionismo quanto o holismo.

Modelo mental: pense no redemoinho — tem forma estável e identidade, mas só existe porque a água passa por ele continuamente (sistema aberto).

Auto-Organização

Um sistema vivo se produz e se mantém a partir das interações dos seus componentes — e depende profundamente do meio para isso (auto-eco-organização). Autonomia e dependência não se opõem: alimentam-se mutuamente.

Como aplicar: ao estudar qualquer organização, mapeie tanto o que ela produz por dentro (auto) quanto o que recebe do meio (eco) — nenhum lado basta sozinho.

Reintroduzir o Sujeito

A ciência clássica expulsou o observador em nome da objetividade. A complexidade o reintroduz: não há objeto conhecido sem um sujeito situado no mundo. Objetividade não é ausência de sujeito — é vigilância sobre ele.

Para refletir: em toda análise que você produz, qual é o seu ponto de vista que está moldando o que você consegue ver?

Lições-Chave do Capítulo 2

  • O fundamento do pensamento complexo é sistêmico: o real é feito de sistemas abertos, não de tijolos isolados.
  • O todo é mais e menos que a soma das partes — guardar os dois lados evita tanto o reducionismo quanto o holismo.
  • Reintroduzir o sujeito não é subjetivismo: é reconhecer que o observador faz parte do que observa.