O PODER DO SILÊNCIO

CAPÍTULO 6: Aceitação e Entrega

Eckhart Tolle

A entrega — render-se ao que é — não é resignação passiva, mas um “sim” interior ao momento presente. Aceitar o que não pode ser mudado agora liberta a energia antes gasta em resistência, e é dela que a ação eficaz nasce.

A Entrega é um “Sim”

Render-se é dizer um “sim” interior ao que o momento presente é, em vez de manter o “não” mental que gera sofrimento. É um estado interno, totalmente compatível com ação externa firme — não impede agir, torna a ação mais limpa e poderosa. Diante do que já aconteceu ou do que não pode mudar agora, alinhe-se com o fato e aja a partir dali, em vez de lutar contra ele.

Como aplicar: aceite o que é agora e, dessa base limpa, decida e aja — muitas vezes com mais força, não menos.

A Dor Mora na Resistência

Separe a situação da sua resistência a ela: quase toda dor é a resistência, não o fato. Quando algo já aconteceu, brigar mentalmente com isso é brigar com o universo inteiro — e você sempre perde. Aceite o fato e a dor encolhe à dimensão real do problema. A resistência interior, não a situação, é a verdadeira fonte da infelicidade.

Modelo mental: “o que é, é” — aceitar o fato consumado não é concordar com a injustiça, é parar de sangrar à toa.

Mudar, Aceitar ou Sofrer

Toda ação consciente passa por aceitação, prazer ou entusiasmo — e se nenhuma tarefa traz prazer ou entusiasmo, ao menos aceite-a plenamente; a resistência interior é o que a torna pesada. A regra é simples: posso mudar isto agora? Se sim, aja com aceitação; se não, aceite. As duas opções dissolvem a negatividade. A terceira — resistir sem agir — é a única que só sofre.

Armadilha: reclamar é sempre não-aceitação do que é; é o ego se alimentando, e nunca move um carro do engarrafamento.

Lições-Chave do Capítulo 6

  • A entrega é um “sim” interior ao presente — não resignação, e compatível com ação firme.
  • A resistência interior, não a situação, é a fonte real do sofrimento.
  • Toda ação consciente nasce de aceitação, prazer ou entusiasmo; reclamar é sempre inútil.