REALISMO CAPITALISTA

CAPÍTULO 5–6: Pós-Fordismo e Stalinismo de Mercado

Mark Fisher

A precariedade pós-fordista é a causa material da epidemia de adoecimento mental. E o neoliberalismo não enxugou a burocracia — multiplicou-a, agora a serviço do mercado: o que importa não é o trabalho real, mas a representação do trabalho.

"Não Se Apegue a Nada" — Pós-Fordismo

O regime de trabalho precário, multitarefa e em reconfiguração permanente é a causa material da epidemia de adoecimento. "Flexibilidade" e "resiliência" são nomes elegantes para transferir o custo do sistema ao indivíduo.

Como aplicar: repolitize a saúde mental — troque "o que há de errado comigo?" por "que tipo de sofrimento este regime de trabalho fabrica?"

Stalinismo de Mercado

O que importa não é o trabalho real, mas representar o trabalho (relatórios, metas, PR, auditoria). Como no stalinismo importava a propaganda da produção — não a produção. O neoliberalismo multiplica a burocracia, agora privatizada.

Modelo mental: localize onde a energia institucional vai para parecer que se trabalha (auditoria, branding interno) em vez de para o trabalho em si.

Ontologia Empresarial

A pressuposição naturalizada de que tudo — escola, hospital, arte — deve ser gerido como empresa. O grande Outro (Lacan) é a plateia imaginária para quem as métricas são performadas: ninguém acredita nelas, todos as produzem.

Sinal de alerta: mais métrica ≠ mais qualidade — a metrificação desloca o esforço da coisa para o símbolo da coisa (lei de Goodhart).

Lições-Chave dos Capítulos 5–6

  • A precariedade não é só econômica — fabrica um tipo de sofrimento psíquico em escala epidêmica.
  • Sob o realismo capitalista, parecer produtivo derrota ser produtivo — a métrica vira o fim, não o meio.
  • O neoliberalismo não enxuga a burocracia; ele a reorganiza em torno da auditoria e do PR.