SAPIENS UMA BREVE HISTÓRIA

CAPÍTULO 2: O Mundo dos Caçadores-Coletores

Yuval Noah Harari

Esqueça o homem das cavernas miserável e faminto. Por dezenas de milhares de anos o sapiens viveu de caça e coleta numa 'sociedade da abundância original' — talvez mais saudável, mais variada e com mais tempo livre que o camponês que viria depois. E é a esse mundo, não ao escritório, que o nosso corpo e a nossa mente ainda obedecem.

A Vida Ancestral

Vivemos 99% da nossa história sem cidades, sem patrões, sem trigo. O cérebro que você carrega para a reunião de hoje foi forjado para fugir de leões e devorar doce sempre que aparecesse, porque o açúcar era raro. Nossos vícios modernos são instintos antigos sem o cenário antigo.

Prática: a fissura por açúcar, curtidas e status é um software de caçador rodando num mundo que ele não reconhece.

A Sociedade Opulenta

O forrageador trabalhava poucas horas, comia dezenas de espécies e raramente passava fome. Foi o camponês — não o caçador — quem herdou as jornadas exaustivas, a dieta monótona de cereais e as pragas que vêm de viver grudado em gente e bicho. A mente do caçador era também uma enciclopédia viva do mundo natural.

Para refletir: cada 'avanço' que veio depois cobrou seu preço no corpo do indivíduo comum.

O Mito do Caçador Miserável

  • O caçador-coletor talvez fosse mais saudável, mais bem alimentado e mais folgado que o primeiro agricultor.
  • Preconceito do progresso: nem toda revolução que engrandece a espécie melhora a vida de quem a vive.
  • Muito antes das fábricas, o sapiens já era o exterminador-mor: a megafauna sumiu por onde passamos.
  • Corpo e psique seguem calibrados para a savana — vivemos no século 21 com instintos da Idade da Pedra.