SAVE THE CAT!

CAPÍTULO 1: O Que É Isso? — A Logline

Blake Snyder

A primeira coisa que se vende não é o roteiro: é a frase. Se a sua premissa não cabe numa linha que faz um estranho querer ver, o defeito está na ideia — e não há página brilhante que ressuscite uma ideia que não vende.

A Frase Que Vende o Filme

Logline não é resumo educado: é o gancho que segura a carteira do estúdio. Precisa de ironia (a tensão já vem embutida na premissa), de uma imagem mental que projete o filme na cabeça de quem ouve e de um título que conte o que é. Se não há um nó de tensão na própria frase, você não escreveu uma logline — escreveu uma sinopse, e ninguém compra sinopse.

Como aplicar: ponha herói e desafio em rota de colisão. O contraste cômico ou trágico entre os dois é o motor da ironia.

O Teste do Estranho

Despeje a premissa no colo de quem não te deve nada. Se o olho não acender na hora, é a ideia avisando que está morta — agradeça e enterre. O pior pecado do roteirista é passar meses cavando um túnel que ninguém faz questão de atravessar.

Modelo mental: faça a bilheteria do filme na fila do café, antes da primeira palavra digitada. Sai mais barato.

Quem Precisa Explicar, Já Perdeu

Se a sua ideia central só faz sentido depois de cinco minutos de preâmbulo, ela nasceu morta. Empilhar regras de mundo e mitologia não tapa o buraco de um conflito que não fisga sozinho. O público compra o problema do herói, não a planta do cenário.

Cuidado: apaixonar-se pela ideia cedo demais cega o autor para as críticas — e cego, ele caminha sorrindo para o precipício.

Lições-Chave do Capítulo 1

  • Uma frase com ironia, imagem, público e título — antes de existir uma cena.
  • Teste com estranhos: o olho deles acende, ou a ideia está morta.
  • Ideia que não vende em um minuto não melhora com 110 páginas.