SAVE THE CAT!

CAPÍTULO 7: O Que Há de Errado? — Diagnóstico

Blake Snyder

Reescrever não é 'mexer no texto até soar melhor' — é diagnóstico médico. Quando a história adoece, a cura começa por dar nome ao mal, e dar nome ao mal já é metade da cura.

A Falha Está na Fundação

Quando a leitura perde a graça, o culpado quase nunca é um diálogo infeliz. O buraco mora na fundação: herói frouxo, vilão morno, risco de mentira, tema sem coluna moral. Vistorie a planta baixa, não o acabamento: o problema está nas vigas de aço, não na cor da parede.

Como aplicar: faça a pergunta impiedosa de sempre — o herói escolheu entrar na briga, ou só escorregou no acaso?

O Vilão É o Teto do Herói

O tamanho do herói é ditado pela altura da muralha que o vilão ergue. Antagonista fraco engessa qualquer protagonista — não há glória em vencer um capacho. Quando o arco do herói parece raso, não mexa nele: aumente a maldade do vilão e suba a aposta a cada encontro.

Modelo mental: o bem só arranca aplauso quando o mal parecia, até a última cena, invencível e perfeitamente racional.

Não Trate o Sintoma Errado

Polir diálogos para curar a barriga do segundo ato é passar perfume caro em material morto. Barriga narrativa não se trata com retoque de parágrafo — pede o bisturi: arrancar cenas inteiras que não carregam a premissa para frente.

Cuidado: pare de ajeitar a vírgula de uma cena que, na verdade, deveria ser incendiada sem dó.

Lições-Chave do Capítulo 7

  • Reescrita é diagnóstico: nomeie o mal antes de tentar tratá-lo.
  • Herói passivo, personagem que fala o enredo e vilão fraco são os suspeitos de sempre.
  • Para crescer o herói, engrandeça o vilão e torne as estacas primais.