STORY OS PRINCÍPIOS DO ROTEIRO

CAPÍTULO IX: O Design de Atos

Robert McKee

Atos são a grande arquitetura: beats erguem cenas, cenas erguem sequências, sequências erguem atos. E três grandes reviravoltas são o mínimo para uma história chegar ao fim da linha da experiência humana — ao ponto além do qual nada mais resta a dizer.

Complicação vs. Complexidade

Complicação é conflito num só dos três níveis — só o externo vira Ação pura, só o pessoal vira novela. Complexidade é conflito nos três ao mesmo tempo: dentro do personagem, entre ele e os próximos, e contra o mundo. O conselho cabe numa frase: escreva histórias relativamente simples, porém complexas.

Como aplicar: não multiplique personagens nem locações para parecer rico. Gaste a disciplina em profundidade nos três níveis, não em largura barata.

O Pântano do Segundo Ato

O Ato Um leva uns 25%; o último é o mais curto, pura aceleração rumo ao Clímax. Sobra, no meio, um Ato Dois longo e traiçoeiro — o pântano onde tantos roteiros afundam. Há duas pontes: somar subtramas, cujas reviravoltas caem entre os clímaxes, ou somar atos, criando um clímax de meio.

Cuidado: cada ato a mais cobra outra cena de virar a cabeça da plateia — convite ao clichê — e ainda corta pela metade a força do Clímax final.

O Ritmo dos Atos (Alternância)

Os dois últimos clímaxes são as cenas mais potentes da obra e ficam a dez ou quinze minutos um do outro — por isso não podem repetir a mesma carga. Ninguém empilha positivo sobre positivo: 'estava ótimo… e ficou ainda melhor!' não comove, entedia.

Regra: se o Clímax é irônico, repare para que lado a ironia pende — e faça o penúltimo clímax pender para o lado oposto.

As 4 Relações de Subtrama

Uma subtrama justifica sua existência de quatro modos: (1) contradiz a Ideia de Controle, gerando ironia; (2) a ecoa, em variações de tema; (3) prepara o terreno para uma trama central que só explode tarde; ou (4) complica a trama central. A quarta é a nobre: antagonismo extra empurrando o herói.

Sinal de alerta: subtrama que não contradiz, não ecoa, não prepara nem complica não enriquece nada — só racha a história ao meio.

O Falso Final

Uma cena tão completa que a plateia jura que o filme acabou — E.T. morto na mesa; o duplo arranque final de O Exterminador do Futuro. Arma poderosa, sobretudo na Ação. Na maioria das obras, porém, o penúltimo clímax deve apertar a Pergunta Dramática: 'e agora?'

Exemplo-modelo: Kramer vs. Kramer faz quatro reviravoltas memoráveis em três atos — complexidade plena, e nenhuma repetição de carga.

Lições-Chave do Capítulo IX

  • Complexidade é conflito simultâneo no interno, no pessoal e no externo — dentro de um elenco e um mundo contidos.
  • Drene o longo Ato Dois com subtramas ou um clímax de meio-ato; pese o custo de multiplicar atos.
  • Alterne as cargas dos dois últimos clímaxes — repetir uma corta pela metade a força do filme.
  • Três atos no mínimo: 'estava ruim, depois bom — fim' sempre soa incompleto.