Rio e Diques
A fortuna é como um desses rios bravios que, ao transbordar, alagam a planície, arrancam árvores e arrastam o que encontram. Todos fogem; ninguém resiste. E, no entanto, nada impede que, na bonança, se ergam diques e represas — de modo que, quando as águas voltarem, sigam por canal, ou ao menos não desabem com a mesma fúria. A fortuna mostra a força onde não há virtù preparada para contê-la.
Modelo mental: a cheia virá; isso não está em suas mãos. O que está é o muro erguido no tempo seco — é ele, não a tempestade, que decide quem sobrevive.