RÁPIDO E DEVAGAR

CAPÍTULO 6: Disponibilidade e Representatividade

Daniel Kahneman

Estimamos probabilidades por dois atalhos falhos: a disponibilidade (o que vem fácil à mente parece mais frequente) e a representatividade (julgamos pela semelhança ao estereótipo, ignorando a estatística).

Heurística da Disponibilidade

A facilidade de lembrar exemplos vira medida de frequência. Eventos vívidos, recentes ou midiáticos (acidentes de avião) parecem mais prováveis do que são.

Como aplicar: avalie risco pela frequência real, não pela última manchete.

Heurística da Representatividade

Julga-se pertinência a uma categoria pela semelhança ao protótipo, não pela probabilidade. O pecado: ignorar a taxa-base (quão comum algo é).

Regra: antes de julgar um caso, pergunte 'quão comum isso é na população?'.

Negligência da Taxa-Base

Ignorar a frequência de base ao julgar um caso específico. 'Parece o tipo' ≠ 'é provável' — há muito mais agricultores que bibliotecários.

Cuidado: deixar o estereótipo gritar mais alto que a estatística.

Lições-Chave do Capítulo 6

  • Frequência percebida segue a facilidade de lembrar, não os dados.
  • Semelhança ao estereótipo nos faz ignorar a estatística de base.
  • Antes de julgar, ancore na taxa-base — depois ajuste pela evidência.