SAVE THE CAT!

CAPÍTULO 3: É Sobre Um Cara Que… — O Herói

Blake Snyder

O herói não é sagrado: é a peça que melhor serve à logline. O protagonista certo amplifica a ideia; o errado a desperdiça — e você só descobre na sala de montagem, tarde demais.

Escolha Quem Mais Tem a Perder

O protagonista certo não é o seu xodó: é o que mais sangra na premissa, o que começa no extremo oposto da lição que vai aprender. Se um coadjuvante tem mais a perder e uma curva de mudança maior, promova-o a herói e demita o titular sem dó.

Como aplicar: quanto mais fundo o herói começa, mais alto pode chegar. Maximize a falha inicial para alavancar a glória do final.

É Primal?

Toda motivação fina demais é motivação fraca. O que move plateia é instinto de caverna: proteger a cria, fugir da morte, matar a fome, defender o ninho. Se um homem das cavernas não choraria pela aflição do seu herói, a plateia de hoje vai cochilar do mesmo jeito.

Modelo mental: traduza o intelectual em visceral. 'Perder o emprego' não emociona; 'não ter como pôr comida no prato dos filhos' emociona.

Herói Passivo Mata o Filme

Personagem passivo é figurante com falas longas. O herói de verdade pega as rédeas e empurra a história pelo pescoço a cada virada de ato. Se o seu protagonista só apanha do acaso e é salvo pelos outros, a história murcha e o filme afunda — e ninguém vai saber explicar a causa.

Cuidado: faça a pergunta crua a cada ato — o herói decidiu entrar nesta briga, ou foi arrastado pela orelha?

Lições-Chave do Capítulo 3

  • Escolha o herói que maximiza conflito, arco e identificação — não o favorito.
  • Toda motivação que funciona é primal: comida, abrigo, prole, sobrevivência.
  • Herói conduz; se ele só reage do início ao fim, o roteiro tem dono errado.