A POÉTICA DE ARISTÓTELES

CAPÍTULO 6: Hamartia e Catarse

Aristóteles

O efeito trágico — compaixão, temor e catarse — exige um herói específico: nem virtuoso demais nem vil, mas semelhante a nós, caindo por um erro (hamartia), não por maldade.

O Herói do Meio

Evite três figuras: o muito virtuoso arruinado (repugna), o mau que prospera (nada de trágico), o perverso que cai (justo, mas sem compaixão). Resta o intermediário: bom, semelhante a nós, que erra.

Como aplicar: o herói cai por hamartia (erro de juízo), não por vício — é o que comove.

Compaixão + Temor

Eleos (compaixão) nasce do infortúnio imerecido de um semelhante; phobos (temor) nasce porque o que cai é como nós — poderia ser conosco. Sem semelhança, não há emoção trágica.

Modelo mental: só nos comovemos com quem reconhecemos como um de nós.

Cuidado com o Final Moralista

O final duplo (bons premiados, maus punidos) agrada à plateia fraca, mas é próprio da comédia — mata a emoção trágica. A justiça poética perfeita esteriliza.

Sinal de alerta: se tudo se resolve com justiça impecável, você saiu da tragédia.

Lições-Chave do Capítulo 6

  • O alvo é eleos + phobos → catarse.
  • Use o herói do meio: cai por erro, não por maldade.
  • Evite o final moralista duplo.