A POÉTICA DE ARISTÓTELES

VISÃO GERAL · OS FUNDAMENTOS DA DRAMATURGIA

Aristóteles

O texto que fundou a teoria da narrativa, há 2.300 anos. Aristóteles disseca a tragédia e descobre as leis que ainda governam toda história que emociona: o enredo é a alma, o herói cai por um erro, a reviravolta surpreende e é inevitável, e a solução nasce de dentro — nunca de um truque. É o avô direto de toda dramaturgia, do teatro grego ao roteiro de cinema.

As 6 Partes da Tragédia

Em ordem de importância — só a 1ª é a alma:

  • Mito (enredo) — a estruturação dos fatos; a alma.
  • Caracteres — revelados pela escolha na ação.
  • Pensamento — o que os agentes argumentam.
  • Elocução — a expressão pelas palavras.
  • Melopeia — o canto.
  • Espetáculo — o aparato visual; o menos artístico.

Regra: sem ação não há tragédia; sem caráter, ainda pode haver. Ação > personagem.

O Enredo Complexo

A virada superior nasce de duas forças: peripécia (reviravolta no sentido contrário ao esperado) + reconhecimento (a passagem da ignorância ao saber). Juntos, como em Édipo, são o ápice.

Modelo mental: a reviravolta surpreende — mas, olhando para trás, era o único caminho (o verossímil).

O Alvo: Catarse

Tudo serve a um fim — provocar compaixão (eleos) e temor (phobos) e, por eles, a purificação (katharsis) das paixões. Só se atinge com um herói semelhante a nós, caindo por erro (hamartia), não por maldade.

Como aplicar: sem semelhança com o público, não há emoção. O santo e o monstro não comovem.

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