COESÃO E COERÊNCIA

CAPÍTULO 1: O Que É Um Texto — Os 7 Critérios

Beaugrande, Dressler & Halliday

Há frases impecáveis que não formam texto e bilhetes torcidos que formam. A diferença não está na gramática: está em sete travas. Texto não é o tamanho da frase nem a soma das orações — é uma ocorrência que comunica, e só conta como tal quando os sete critérios de textualidade seguram juntos.

As Sete Travas

Duas miram o tecido — coesão (a superfície amarrada) e coerência (o sentido contínuo); cinco miram o uso — intencionalidade, aceitabilidade, informatividade, situacionalidade e intertextualidade. Não é uma escala de notas: é uma corrente, e ela tem a força do elo mais fraco.

Como aplicar: não se pergunta 'está bom?', e sim 'qual das sete cedeu?'. O diagnóstico precede o conserto.

O Texto É Evento

Texto não é coisa parada na página — acontece, entre alguém que diz e alguém que recebe, numa situação concreta. A pergunta certa não é 'está correto?', mas 'o que ele fez acontecer?'. Mede-se pela comunicação que realiza, não pela frase no vidro do laboratório.

Modelo mental: verbo, não substantivo. O texto se faz no momento em que é usado, e desfaz-se fora dele.

Correto Não É Coeso

Frases certinhas e desligadas umas das outras não viram texto — viram lista. E examinar o texto longe da sua situação afere só metade da régua: a outra metade está no uso.

Cuidado: não persiga nota dez nos sete critérios. Eles se equilibram entre si; maximizar um custa os outros.

Lições-Chave do Capítulo 1

  • Texto é ocorrência que comunica — não frase grande nem fila de orações.
  • Sete critérios em corrente: coesão e coerência (o tecido) + cinco do uso. Vale o elo mais fraco.
  • Quando algo 'não soa como texto', não conserte tudo: descubra qual das sete travas cedeu.