MAQUIAVEL PEDAGOGO

CAPÍTULO VI: A Revolução Cultural e o Interculturalismo

Pascal Bernardin

Interculturalismo não é coexistência de culturas (multiculturalismo), mas a fusão deliberada delas para formar “uma identidade cultural nova”. É uma revolução de alcance epistemológico que ataca “as formas de conhecimento e a hierarquia dos saberes”, rumo a uma cultura e uma língua mundiais.

Fundir, Não Conviver

O salto é deliberado: multicultural = culturas que coexistem; intercultural = fusão que dá nascimento a uma cultura nova, “não mais marcada pelo eurocentrismo ou por um vínculo cego às próprias crenças” (OCDE). Pôr a própria cultura “no mesmo nível” das mais distantes serve para desenraizar, não para respeitar.

Modelo mental: trate “interculturalismo” como Gramsci aplicado — revolução cultural por dentro das instituições para dissolver o núcleo identitário.

O Alvo Epistemológico

A justificação tem três pernas: ética, jurídica e — a decisiva — epistemológica: diferenciar “as formas da inteligibilidade e a estrutura do saber”. É ela que habilita uma “teoria científica da educação multicultural”. O alvo declarado da OCDE é o “núcleo duro das culturas”, não apenas as atitudes.

Sinal de alerta: quando “tolerância” vem com justificação epistemológica, o alvo não são atitudes — é a própria estrutura do saber.

Rumo à Língua Mundial

O horizonte é declarado: “uma língua internacional que reforce uma cultura internacional” (Unesco), prelúdio da destruição das culturas locais. Bernardin liga isso à novilíngua de Orwell — “a Revolução estará completa quando a língua for perfeita”. Restringir a língua é restringir o pensamento.

Como aplicar: leia “atitude mundialista”, “cultura internacional” e “língua internacional” como o telos do projeto — desenraizar para reprogramar.

Lições-Chave do Capítulo VI

  • Interculturalismo é engenharia de identidade — fusão, não convivência de culturas.
  • A justificação epistemológica torna a relativização cultural uma “ciência” aplicável aos programas.
  • O horizonte é mundialista: cultura e língua internacionais — restringir a língua é restringir o pensamento.