MAQUIAVEL PEDAGOGO

CAPÍTULO VIII: Os IUFMs — A Formação dos Professores

Pascal Bernardin

Nenhuma reforma chega à criança sem passar pelo professor — e por isso o professor é a primeira peça a refundir. Os IUFMs nascem para formar docentes em psicopedagogia, não em domínio da matéria, como engrenagem de um projeto que culmina na proposta de “um currículo universal, internacional e padrão, estabelecido sob os auspícios das Nações Unidas”. Padroniza-se o manual, padroniza-se quem o ensina.

O Concurso de Cabeça para Baixo

Pelo decreto de 18/10/1991, o candidato a professor de francês “analisa e critica documentos pedagógicos” em vez de provar que domina a língua; em matemática, “analisa situações” e julga pedagogia. A didática expulsa o saber já no portão de entrada. Onde a prova afere método e não conhecimento, recrutam-se animadores de conduta, não mestres de uma matéria.

Como aplicar: olhe o que a prova de admissão realmente exige — ela confessa que tipo de gente o sistema quer dentro da sala.

O Professor Dócil

A formação se propõe, por escrito, a “fazer deles agentes dóceis de políticas cada vez mais revolucionárias”, pois “a aceitação dos professores é condição da difusão”. O docente é o gargalo da reforma: sem ele engajado, nada chega à criança. E o expurgo nunca termina — o doutrinamento “não se limita à formação inicial”.

Modelo mental: a “formação continuada” não recicla saber; estende a reeducação por toda a carreira e a todo o pessoal da escola, sem alta.

As Crenças como Matéria-Prima

A “pedagogia centrada no aluno” trata as crenças dele “como recursos para o ensino”, e “o próprio ensino é concebido para mudar as crenças do aluno”. Negociar objetivos, primado da ação, “clarificação de valores” — tudo afinado para “revelar as crenças a fim de mudá-las”. “Centrar no aluno” não é servi-lo: é localizar o que ele crê para poder reescrevê-lo.

Sinal de alerta: a “centralidade do aluno” não é deferência à autonomia — é o ponto de acesso à crença que se pretende reformar.

Lições-Chave do Capítulo VIII

  • Por decreto, os IUFMs selecionam e formam pela psicopedagogia, e não pelo saber da matéria.
  • O professor é o gargalo estratégico: sem docente engajado, a reforma não chega à criança.
  • “Centrar no aluno” é acessar suas crenças como matéria-prima — e o horizonte é um currículo mundial padronizado.