MAQUIAVEL PEDAGOGO

CAPÍTULO X: A AVALIAÇÃO E A INFORMATIZAÇÃO

Pascal Bernardin

A avaliação deixa de medir o saber e passa a medir e moldar atitudes, valores e comportamentos — com testes psicológicos em massa, fichamento informatizado individual e bancos de dados interconectáveis em escala mundial.

A Avaliação como Leme do Sistema

Quem controla a avaliação controla o que se ensina: "é de importância primordial que os dispositivos de avaliação reflitam plenamente as reformas que se deseja implementar" (OCDE). Mude o que se mede e todo o sistema se realinha sozinho.

Modelo mental: a avaliação é o leme — professores e alunos remam atrás dela automaticamente.

"Os professores ensinarão para responder às exigências do sistema de avaliação e os alunos, conformemente, aprenderão." (OCDE)

O Modelo Americano: Fichamento

Testes psicológicos em massa no primário determinam perfis e disposições — também dos pais, refletidas nos filhos. Alunos com resultados "errados" recebem cursos behavioristas para "desencorajar atitudes aprendidas com os pais". Tudo "sem que o povo fosse informado".

Sinal de alerta: os dados concentrados numa base única já nasciam com a intenção de ligar-se a bases similares no mundo.

Número de Identificação por Aluno

Na França (1991–1993): 160 questões por aluno sobre atitudes e inserção social, "competências transversais" não cognitivas no livreto escolar, o programa CASIMIR para coleta informatizada e um número de identificação secreto como chave de rede.

Tell: coletar duas vezes (escola + amostra nacional) é absurdo transitório — a unificação numa base única é a trajetória natural.

A "Competência Mínima"

O nível desejado é o da competência mínima — e os iletrados nos EUA saltaram de 18 para 25 milhões em poucos anos. "Desde então, o governo não mais forneceu estatísticas."

Modelo mental: privar dos instrumentos intelectuais é o que torna a doutrinação precoce eficaz — a "coletivização dos espíritos".

Testes Psicológicos de Professores

O método das configurações (Peretti/INRP) sonda "as partes mais ou menos inconscientes do eu", avalia as mudanças ao longo da formação docente e até "os efeitos de uma terapia a que esteja submetido o professor".

Como aplicar: não é só o aluno — o "eu profissional" do professor também é sondado e modificado.

Lições-Chave

  • A avaliação é o mecanismo de comando da reforma: define na prática o que a escola ensina.
  • O fichamento psicológico informatizado de alunos, pais e professores já era realidade nos EUA e avançava na França.
  • A "cultura de avaliação" permanente + autoavaliação = interiorização contínua de valores.
  • A infraestrutura técnica (bancos de questões, redes, CASIMIR) precede e habilita o controle mundial.
  • A operação avançou sem informação ao público e, na França, sem base legal.