STORY OS PRINCÍPIOS DO ROTEIRO

CAPÍTULO XVIII: O Texto

Robert McKee

O texto — diálogo e descrição — são os últimos vinte e cinco por cento do trabalho, e existem para servir ao que corre por baixo. O diálogo espreme o subtexto nas palavras mais atuáveis que houver; a descrição conduz o olho interior do leitor como uma câmera; e um Sistema de Imagens costura, em silêncio, uma poesia que atravessa o filme inteiro sem nunca se anunciar.

Disciplina do Diálogo

Diálogo não é conversa — é ação comprimida de propósito em palavras. Diga o máximo no mínimo; mantenha as falas curtas e com som de gente ('ninguém fala assim' é sentença de morte). Use a frase periódica: empurre para o fim da linha a palavra que carrega todo o sentido.

Regra: menos é mais. A atriz que estende a xícara não precisa dizer 'Você quer este café, querido?' — a xícara, o gesto e o olhar já disseram tudo.

Descrição: a Cena-Mestra

Escreva no presente vivo e só aquilo que a câmera pode filmar. Em vez de marcar ângulos, quebre a descrição em pequenos parágrafos separados por linhas em branco — cada bloco insinua, de leve, um plano. Ler o roteiro tem de ser como assistir ao filme.

Como aplicar: deixe ao diretor e ao ator o trabalho criativo deles. Geral, movimento, close e inserto se sugerem sozinhos pelo recorte do parágrafo.

Sistemas de Imagens

Uma estratégia de motivos que se repetem em imagem e som, do início ao fim, com persistência e variação. A Imagem Externa importa um símbolo já pronto — bandeira igual a pátria — e é a marca do filme de estudante; a Imagem Interna dá a uma categoria comum um sentido que só existe neste filme.

Exemplo: As Diabólicas encharca tudo de água e inverte o seu símbolo, que de vida passa a morte e terror.

Mantenha o Símbolo Invisível

No instante em que a consciência flagra um símbolo, ele vira curiosidade intelectual neutra, sem força e quase sem sentido. Tal como a trilha sonora, o símbolo só age abaixo da linha da cognição.

Sinal de alerta: rotular o símbolo o mata — o laço de Buñuel, na quinta repetição, fez a plateia gritar 'Símbolo!' e rir do filme.

Lições-Chave do Capítulo XVIII

  • Comprima o diálogo em torno do subtexto; termine a fala na palavra que de fato pesa.
  • Descreva em unidades filmáveis, no presente, que já insinuem o corte.
  • Construa um ou mais Sistemas de Imagens internos — e os mantenha invisíveis.
  • Poético não é bonito: é a expressividade do conteúdo levada ao máximo, seja ele qual for.