COESÃO E COERÊNCIA

CAPÍTULO 6: Informatividade

Beaugrande, Dressler & Halliday

Todo texto caminha numa corda bamba entre o que o leitor já espera e o que ainda não imaginou. Cair para o lado do esperado é entediar; cair para o lado do inesperado é exigir esforço demais. Informatividade é a arte de não cair de nenhum dos dois.

As Três Ordens

A novidade chega em graus. 1ª ordem: o trivial, o que já se sabia — entedia e o olho pula. 2ª ordem: o ponto certo, informa sem sufocar — é onde se quer estar. 3ª ordem: o tão inesperado que custa caro decifrar — pode deslumbrar ou perder o leitor de vez.

Como aplicar: mire sempre a 2ª ordem. O tédio e o caos são os dois vizinhos do fracasso — um de cada lado da porta.

Surpreenda, mas Dê a Chave

A quebra de expectativa só vira ouro quando o leitor acha a razão dela — quando a novidade, depois do espanto, se encaixa e ilumina. Surpresa sem chave é só ruído; surpresa motivada é descoberta. Esperado garante a compreensão; novo garante o interesse: o bom texto entrega os dois.

Modelo mental: a surpresa boa faz o leitor pensar 'claro!' — não 'como assim?'. A chave vem logo atrás do susto.

Liso ou Empedrado

Repetir o que o público já domina (1ª ordem) deixa o texto liso — o olho escorrega e some. Empilhar novidade sem âncora (3ª ordem sem chave) deixa-o empedrado — o leitor tropeça e se perde. Densidade plana, sem picos nem vales, também não prende ninguém.

Cuidado: não basta ser denso — é preciso ter relevo. Texto sem alto nem baixo é estrada reta de madrugada: dá sono.

Lições-Chave do Capítulo 6

  • Informatividade é a corda bamba entre o esperado e o novo — e o alvo é a 2ª ordem.
  • 1ª ordem entedia e escorrega; 3ª ordem sem chave afasta. O fracasso espreita os dois extremos.
  • A surpresa funciona quando é motivada: o leitor acha a razão e a novidade vira descoberta.