O DESIGN DO DIA A DIA

CAPÍTULO 6: Funções de Força — Tornar Difícil o Erro Grave

Don Norman

Quando um erro pode ser perigoso ou caro, restrições comuns não bastam: usa-se uma função de força — uma restrição forte que impede a ação seguinte até o passo certo, ou trava o usuário fora de uma ação perigosa.

Funções de Força: os 3 tipos

Restrições que interrompem a operação a menos que o passo certo seja cumprido. Interlock: força uma ordem (o micro-ondas não liga de porta aberta). Lock-in: impede encerrar cedo ('salvar antes de sair?'). Lock-out: bloqueia zona perigosa (escada barrada no térreo).

Como aplicar: use quando o custo do erro for alto — escolha o tipo pela natureza do risco.

Poka-yoke (À Prova de Erro)

Princípio da qualidade japonesa: projetar para que a montagem ou operação errada seja fisicamente impossível. Pinos assimétricos, encaixes únicos, contadores de peças — dispositivos simples que eliminam classes inteiras de erro.

Regra: o melhor controle de erro é a impossibilidade física de errar.

Aviso Não Basta para o Grave

Para erros sérios e irreversíveis, confiar só em avisos ('cuidado!') é fraco — o usuário se distrai, especialmente sob estresse. O erro grave precisa ser bloqueado, não advertido.

Cuidado: funções de força no lugar errado viram burocracia e são burladas — anulando também a proteção real.

Lições-Chave: Funções de Força

  • Para erros graves, não avise: torne o erro impossível com uma função de força.
  • Interlock (ordem), lock-in (permanência), lock-out (zona proibida) — escolha pelo risco.
  • Poka-yoke: o melhor controle de erro é a impossibilidade física de errar.