O DESIGN DO DIA A DIA

CAPÍTULO 6: Funções de Força — Tornar Difícil o Erro Grave

Don Norman

Quando o erro pode sair caro ou perigoso, restrição leve não basta. Aí entra a função de força — uma trava firme que segura a próxima ação até o passo certo ser dado, ou que bloqueia de vez o acesso à ação arriscada.

As Travas de Força

A função de força não pede educação: ela impede. Obriga a sequência certa (interlock), proíbe encerrar antes da hora (lock-in) ou veda a zona perigosa (lock-out). Onde o erro é irreversível, não confie no bom senso de ninguém — confie na trava.

Modelo mental: se o erro custa dados perdidos ou gente machucada, levante uma barreira de verdade. Aviso gentil não segura ninguém.

Tornar o Erro Impossível

O poka-yoke japonês não previne o deslize com uma cor de alerta; previne com a forma. Um pino fora de lugar, um conector que só encaixa de um jeito, um sensor que conta peças. O acidente não é desencorajado — ele simplesmente deixa de ser possível.

Prática: onde o erro sai caro, desenhe formatos e gabaritos únicos, que recusem fisicamente o encaixe errado.

Aviso Não Substitui Trava

Confiar a operações graves apenas a pop-ups e adesivos berrantes é empurrar para o usuário um risco que era do projeto. Na rotina e no cansaço, o aviso vira paisagem e ninguém mais o lê. Para o erro irreparável, troque o papel pela barreira mecânica.

Armadilha: trava demais também é problema — quando incomoda, a equipe acaba desligando tudo, e a proteção desmorona inteira.

Lições-Chave: Funções de Força

  • Para o erro grave, não avise: use uma função de força e torne-o impossível.
  • Interlock impõe a ordem; lock-in impede sair cedo; lock-out veda a zona proibida — escolha pelo risco.
  • Poka-yoke: o melhor controle de erro é não deixar o erro ter como acontecer.