O MUNDO DE SOFIA

VISÃO GERAL · TODA A FILOSOFIA OCIDENTAL CABE NUMA CAIXA DE CORREIO

Jostein Gaarder

Sofia Amundsen, 14 anos, abre a caixa de correio e encontra um bilhete sem remetente, com três palavras: Quem é você? No dia seguinte chega o segundo: De onde vem o mundo? São as perguntas mais simples que existem — e, justamente por isso, as que ninguém mais ousa fazer depois de crescer. Sofia descobre, num susto, que não sabe responder a nenhuma das duas. Quem as envia é Alberto Knox, um velho filósofo que decide acordá-la para o mundo, carta por carta, de Tales a Sartre. Só que há uma pergunta embaixo de todas, e nem o mestre desconfia dela: e nós, de que matéria somos feitos?

Tudo Começa no Espanto

A filosofia não nasce de saber muito — nasce de uma coisa que toda criança tem e quase nenhum adulto guarda: achar o mundo estranho. Que existam estrelas, que você esteja vivo, que haja algo em vez de nada — isso devia nos derrubar do banco. Mas a gente se acostuma, e o milagre vira papel de parede. Filósofo é só quem nunca terminou de se espantar.

A pista: o espanto é o seu termômetro. No dia em que algo descomunal — a consciência, o tempo, o simples existir — virou 'normal', foi você que cochilou, não o mistério que sumiu.

Os Dois Grandes Tabuleiros

Esses 2.500 anos de pensamento se jogam, no fundo, em dois tabuleiros. Um pergunta de onde vem o saber: dos sentidos ou da razão? (Heráclito × Parmênides, empiristas × racionalistas.) O outro pergunta onde mora o real: nas Ideias eternas ou nas coisas que dá para morder? (Platão × Aristóteles.) Cada pensador escolhe um lado da rua — até Kant chegar e construir a ponte.

Modelo mental: diante de qualquer filósofo, faça-lhe duas perguntas — de onde ele tira o conhecimento e onde ele guarda a realidade. Com isso você já o tem meio mapeado.

O Livro Dobra Sobre Si Mesmo

Aqui está a jogada que torna o romance inesquecível: o curso de filosofia acontece dentro de uma ficção que pergunta exatamente o que a filosofia pergunta. Sofia e Alberto descobrem, horrorizados, que são personagens escritos por outra pessoa — e o inocente 'Quem é você?' do primeiro bilhete fica, de repente, vertiginoso. Porque a dúvida deles é, palavra por palavra, a nossa.

A pista: a primeira pergunta do livro nunca é respondida — só volta mais funda. É a filosofia largando o quadro-negro para puxar você pelo colarinho.

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