SOCIEDADE DO CANSAÇO

CAPÍTULO 6: O Caso Bartleby

Byung-Chul Han

Han lê Bartleby, o Escrivão de Melville para fixar um contraste histórico: Bartleby — com seu 'preferiria não fazê-lo' — é uma figura ainda disciplinar, da negatividade e da paralisia. Não é o sujeito de desempenho.

Bartleby como Figura Disciplinar

O sofrimento de Bartleby é da negatividade (a parede, o muro, a recusa) — não do excesso de positividade. O ambiente quase carcerário de Wall Street é o mundo disciplinar foucaultiano. Ele adoece contra a ordem; o sujeito de desempenho adoece cumprindo a ordem que ele mesmo se dá.

Como aplicar: use Bartleby como contraprova histórica — ele serve para datar a doença: pertence ao ontem disciplinar; o burnout pertence ao hoje do desempenho.

Han Rejeita a Leitura Messiânica

Agamben e Deleuze veem no 'preferiria não' uma potência ontológica pura. Han discorda: é caso patológico de uma época específica, não herói da potência negativa. A recusa de Bartleby é colapso, não liberdade soberana.

Modelo mental: cuidado com a romantização da recusa — nem toda recusa é potência; a de Bartleby é paralisia sem mundo.

A Doença Mudou de Lógica

O empregado disciplinar adoecia contra a ordem (resistia, definhava na parede); o sujeito de desempenho adoece cumprindo a ordem que ele mesmo se dá. Confundir os dois é tratar o esgotamento de hoje com a terapêutica de ontem.

Sinal de alerta: oferecer 'mais autonomia' como cura do burnout pode aprofundá-lo — se a coação é interna, mais liberdade vira mais pressão.

Lições-Chave do Capítulo 6

  • Bartleby é figura disciplinar/negativa — não do desempenho.
  • Han rejeita a leitura messiânica do 'preferiria não'.
  • O capítulo demarca que a doença mudou de lógica entre as eras.