As Três Metamorfoses
O espírito que se eleva muda três vezes de pele. Primeiro o camelo, que se ajoelha e pede mais carga: ajoelha-te, leva o 'Tu Deves', todo o peso dos milênios. Depois, no deserto mais solitário, faz-se leão, que ruge 'Eu Quero' e rasga o dragão das mil escamas douradas — cada escama um mandamento antigo: ganha a liberdade, mas só sabe destruir. Enfim a criança — inocência e esquecimento, uma roda que gira por si, um sagrado dizer-sim — e só ela cria mundos novos. Dizer não, o leão sabe; só a criança sabe dizer sim.
Diagnóstico: de que animal é a tua pele hoje — ainda dobras os joelhos sob o dever alheio, já rugiste o teu primeiro não, ou já giras uma roda que é só tua?