O Contrato Audiovisual
Não percebemos som e imagem separados e depois somados — cada um transforma a percepção do outro. A audiovisão é essa fusão consentida, irredutível às partes.
Como aplicar: 1 + 1 = 3. A cena é um acordo, não uma gravação.
VISÃO GERAL · SOM E IMAGEM NO CINEMA
Michel Chion
Chion derruba a intuição de que vemos uma coisa e ouvimos outra, somando as duas. Na audiovisão, som e imagem se transformam mutuamente — é um contrato, uma fusão consentida em que o som faz o trabalho e a imagem leva o crédito. Do valor acrescentado à síncrese, do acusmático ao rendering, é a teoria que explica por que metade do que sentimos num filme vem do que ouvimos sem perceber.
Não percebemos som e imagem separados e depois somados — cada um transforma a percepção do outro. A audiovisão é essa fusão consentida, irredutível às partes.
Como aplicar: 1 + 1 = 3. A cena é um acordo, não uma gravação.
O som projeta sentido e emoção que o público credita à imagem, como se ela já contivesse aquilo. O som faz o trabalho; a imagem leva a fama.
Chave: para medir o som, tire-o — o que a imagem perde é o valor que ele acrescentava.
A soldagem espontânea e irresistível entre um som e uma imagem simultâneos, mesmo sem relação real. É o que torna possível a dublagem, o foley e o efeito.
Modelo mental: a sincronia cola; a fonte é livre.
As notas detalhadas dos 8 capítulos do livro:
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